segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Parará

Parari
parará
Bocejo aqui
e a mente lá

Tempo não tenho
mas tempo perco
Um tolo escreven'o
a um mais tolo lê-lo!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Não resista

Este saiu espontâneo, breve..

"Não resista

Sou um curioso
Como o tinhoso
chego sem licença
entro sem detença

Pode guardar
tent'esconder
Sem alvará
tiro nem vê

Mas se pedir
volvo um pouco
pouco de si
Jóia ou porco!"

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Aquarela rubra

Texto inacabado.. Sem tempo de escrever nada, só retirei algumas estrofes que, a meu ver, levam algum sentido do todo. Primeira tentativa de uso de métrica: 6666, 6666, 5555, 7676 (salvo engano!). Notem que a métrica muda com a temática e, consequentemente, outros pontos importantes.

Em si negro profundo
vermelho palpitado
Sensações a bocado
do novo oriundo

Enformam sedimentos
vermelhos definidos
Aqueles indistintos
trazem algo intenso

Em rubor flamante
a paixão figura
espectros de sangue
sombras de moldura

O vermelho vivo tom
vezes desbota calmo
vão outros rubros batons
num gozo de orgasmo

(9 de nov. - deletada a terceira estrofe)

sábado, 12 de setembro de 2009

Irresistir

Achei a estrutura deste quase um transplante do anterior. Creio que por não ter saído original, não espontâneo...

Irresistir

Que tens nesses cabelos
não revelaste ainda
Que num só desejo de tê-los
me atormenta me alucina

Numa tóxica morfina
a mente desatina
e o corpo só responde
aos arrepios mais insones

Com esse perfume à baila
Envolvo teu pescoço
O pouco de humano se abala
Você geme e todo me contorço

Bicho que se solta
avanço ameaço morder
Matreira, recuas mas voltas
num dissimulado prazer

Ah irresistível sedução
em que jogo fui me meter
Me arrisco a toda posição
ganhamos eu e você!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mais um momento de sinestesia..

Sinestesia

Volvo e revolvo seu pescoço
e intenso seu cheiro inspiro
Do mundo nada mais ouço
além de seu irresistido suspiro

Sua nuca me compele
num êxtase animal
minha barba a roçar sua pele
como na agonia do prenúncio final

Muchacha linda
Perdóname si soy un loco
mas nada viste ainda
e de tudo muito pouco!

Suas curvas, como que em embalo me ponho
não sei se é dança
não sei se é sonho
a mente dopa e o corpo balança

Quase nesse delírio de sinestesia
lhe revelo outras sensações
que não diria nem deveria
senão sob as mais astuciosas emoções!

Sentida Sintonia

Sentida sintonia

Ouvir, observar, valiosos sentidos
Do homem que para si
diz-se sábio se muito os tem tido
Mas, deveras, é puro sentir!

Diferente do ser pequeno
sob cuja carapaça (ou carcaça?)
embora cheio do que é terreno
sequer pedra nasça

Assim nos ensina o cientista
em linguagem entediante
que nem sua mulher excita
a buscarmos o sentir mais adiante

O homem que sente
e nessa tarefa é competente
Como universo completo
está repleto de astros seletos

Quando da escolha de um paralelo
Atente aos cheios de matéria escura
Pois corromperem sua harmonia será sequelo,
doença de difícil cura!

Sem discriminação, um ao outro igual
Como você busque um tal e qual
sem que um seja o verso nem do outro reverso
formem radiante multiverso!

Um sentido novo surge

Intimidade que pulsa

A música, a dança e outras percepções, de origem sensorial e destino certo, em impulsos perpassam incólumes. Na dimensão do que é exceto, há as que transbordam suas sinapses vólucres, impregnando a mielina de cada nervo, imiscuindo-se em pulsante enxerto. Deixam sua impressão, sensação permamente de excitação, num sentido novo exsurgido da inconformidade.

A esse paradoxo de inconstância e continuidade, o estímulo novel assujeita-se, fadado a despertar emoções que já marcaram, e destinado a revelar sempre inédito êxtase.

Pensamentos

Pensamentos pendentes

Pensamentos suspensos, ainda que numa turbação de idéias profusas, diáfanas, por fim sedimentam, incorporando-se ao substrato de onde tudo o mais emana.

Pensamentos que arrebatam

Fricção violenta percorre a medula, numa irrupção de arrepios e pensamentos, tornando ígneo o que era latente, e se inflamando correspondente-mente.

Pensamentos...

Alguns, cativos, arriscam voos longos, mas retornam à proteção oferecida pela clausura. Há os que batem em arrevoadas, seguindo o bando de seus semelhantes. Têm sua liberdade, mas não decidem nem percebem seu destino. Àqueloutros, que trespassam os céus em voos supinos, experimentando ares rarefeitos, que a muitos asfixiariam, se revela o inalcançável a olhos terrenos. Observam e, absortos, compreendem.

Dedicado, há eras, e nunca concluído, a uma pessoa de ego (e quiçá algo mais) dilatado. Não pergunte quem..

"O Inchado

-Olha a majestade! Revela em tom jocoso um observador, apontando personagem que passa. Verdadeiro Rei Momo, encoberto em densas camadas de variados tecidos. Que espécie de criatura seria essa, que Deus fez tão inchada?
Seu corpo, como que numa repulsa íntima, intenta uma fuga de si mesmo, adotando a característica forma de globo sebáceo. Contribui cada célula do organismo sua, expandindo-se aceleradas entumecidas de adiposidade, traficando dia e noite suas entranhas atribuladas o armamento pesado dessa peleja fraticida."

Alguns, antigos, pensamentos de fora pra dentro

"Falhar não é humanamente facultado. O aprendizado de condutas menos rotas, porém, afigura-se uma opção. Alternativa, ademais, que deve ser elevada à consideração de privilégio, consoante a magnitude de prevalecente estupidez."

"O Preconceito se revela lesivo e injusto à medida da ignorância do outro. A Arrogância o é proporcionalmente ao desconhecimento da própria natureza. A Humildade, o reconhecimento de nossas insuficências, por sua vez, pode graciosamente impelir nossos limites ao horizonte desencontrado."